A dissecção arterial cervical é uma condição que ocorre quando há uma ruptura na parede das artérias que fornecem sangue ao cérebro, como as artérias carótidas ou vertebrais. Essa ruptura pode levar à formação de um coágulo que bloqueia o fluxo sanguíneo, tornando-se uma causa importante de acidente vascular cerebral (AVC), especialmente em indivíduos jovens e de meia-idade.
O que é a dissecção arterial cervical?
A dissecção arterial cervical ocorre quando as camadas da parede arterial se separam, permitindo que o sangue flua entre elas. Isso pode formar um hematoma que reduz ou bloqueia o fluxo sanguíneo para o cérebro, ou provocar que fragmentos do coágulo se desloquem e obstruam vasos menores, causando um AVC isquêmico.
Esse distúrbio pode afetar tanto as artérias carótidas (localizadas no pescoço) quanto as artérias vertebrais (na região posterior do pescoço).
Principais causas da dissecção arterial cervical
A dissecção arterial cervical pode ter múltiplas causas, que se dividem em traumáticas e espontâneas:
- Causas traumáticas:
- Lesões físicas: acidentes automobilísticos, quedas ou esportes de contato podem danificar as artérias do pescoço.
- Manipulação cervical: movimentos bruscos durante massagens ou manipulações quiropráticas.
- Causas espontâneas:
- Fatores genéticos: doenças do tecido conjuntivo, como a síndrome de Ehlers-Danlos ou a síndrome de Marfan, podem enfraquecer as paredes arteriais.
- Hipertensão arterial: a pressão arterial elevada prolongada pode predispor à ruptura das artérias.
- Infecções: algumas infecções virais podem enfraquecer temporariamente as paredes arteriais.
- Fatores desencadeantes menores:
- Movimentos cotidianos como girar o pescoço de forma brusca ou tossir com força.
Sintomas da dissecção arterial cervical
Os sintomas podem variar dependendo da artéria afetada e da gravidade do dano, mas os mais comuns incluem:
- Cefaleia intensa: localizada em um lado da cabeça ou do pescoço, podendo ser o único sintoma inicial.
- Dor no pescoço: constante e que não melhora com analgésicos comuns.
- Perda de visão ou visão dupla: especialmente se a dissecção afetar as artérias carótidas.
- Fraqueza ou dormência: em um lado do corpo, semelhante aos sintomas de um AVC.
- Alterações da fala: dificuldade para articular palavras ou compreender a linguagem.
- Zumbido pulsátil: sensação de batimentos no ouvido.
Relação entre a dissecção arterial cervical e os acidentes vasculares cerebrais
Quando a artéria sofre uma ruptura, o fluxo sanguíneo é afetado de duas maneiras principais:
- Obstrução do fluxo sanguíneo: o hematoma resultante pode bloquear parcial ou completamente a artéria.
- Embolização: fragmentos do coágulo formado no local da dissecção podem se desprender e migrar para o cérebro, obstruindo vasos menores.
Pacientes com dissecção arterial cervical apresentam maior risco de eventos cerebrovasculares se não receberem tratamento oportuno.
Diagnóstico da dissecção arterial cervical

O diagnóstico precoce é fundamental para prevenir complicações graves como o AVC. Os exames mais comuns incluem:
- Ressonância magnética (RM) ou angiografia por RM:
- Permitem detectar o hematoma na parede arterial e avaliar o fluxo sanguíneo.
- Tomografia computadorizada (TC) com angiografia:
- Útil para identificar dissecções e possíveis obstruções nas artérias principais.
- Ultrassonografia Doppler:
- Permite avaliar o fluxo sanguíneo nas artérias do pescoço de forma não invasiva.
- Angiografia cerebral:
- Considerada o padrão-ouro, porém é mais invasiva e geralmente reservada para casos complexos.
Tratamento da dissecção arterial cervical
O tratamento tem como objetivo prevenir a progressão da dissecção e evitar complicações como o AVC. As opções mais comuns incluem:
- Tratamento médico:
- Anticoagulantes: evitam a formação de coágulos adicionais e reduzem o risco de embolização.
- Antiplaquetários: como a aspirina, são utilizados em casos menos graves.
- Intervenções cirúrgicas ou endovasculares:
- Implantação de stents: em casos em que a artéria está significativamente obstruída ou o fluxo sanguíneo é instável.
- Controle dos fatores de risco:
- Redução da pressão arterial, controle do colesterol e cessação do tabagismo são essenciais para prevenir recorrências.
Prevenção e manejo do risco de AVC
A prevenção da dissecção arterial cervical e suas complicações inclui:
- Evitar movimentos bruscos ou manipulações cervicais de risco.
- Controlar condições subjacentes como hipertensão ou doenças do tecido conjuntivo.
- Realizar avaliações médicas regulares se houver predisposição genética.
Em indivíduos com histórico de dissecção, o acompanhamento médico é fundamental para evitar novos episódios.

Conclusão
A dissecção arterial cervical é uma condição potencialmente grave que requer atenção médica imediata para prevenir complicações como o AVC. Reconhecer os sintomas, buscar diagnóstico precoce e receber tratamento adequado são etapas essenciais para minimizar os riscos e melhorar o prognóstico dos pacientes.
A educação sobre essa condição e seus fatores de risco é fundamental para reduzir seu impacto e melhorar a qualidade de vida de quem a apresenta.
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